Festa da Colônia Azambuja celebra raízes italianas e movimenta Pedras Grandes
Evento reforça memória da imigração, reúne famílias e destaca importância histórica do berço da colonização italiana no Sul de Santa Catarina
Luiz Fernando Becker
Entre vales, rios e montanhas, Pedras Grandes mantém viva uma das páginas mais importantes da formação do Sul catarinense. No distrito de Azambuja, onde começou a colonização italiana na região, memórias atravessam gerações e seguem presentes na cultura, na gastronomia e no orgulho dos descendentes. No último fim de semana, a cidade voltou a celebrar essa herança com a quinta edição da Festa da Colônia Azambuja 1877.
Berço da colonização italiana
A história local começa em 1877, com a fundação da colônia Azambuja, que recebeu os primeiros imigrantes vindos de Veneto, no norte da Itália. Em busca de novas oportunidades, eles encontraram no Sul catarinense terras férteis e ajudaram a construir comunidades que mais tarde dariam origem a importantes municípios da região.
Para o prefeito Agnaldo Felipe, Azambuja tem papel central no desenvolvimento do estado. Conforme o chefe do Executivo, a antiga colônia possuía extensa área territorial e influenciou diretamente o surgimento de cidades como Criciúma e Araranguá. Felipe ressalta que a chegada dos imigrantes em 1877 marcou o início da colonização italiana no Sul catarinense.
Festa consolidada no calendário
Criada em 2021 como forma de homenagear a história e a presença da cultura italiana no município, a festa se tornou tradição e segue movimentando o turismo e a economia local. O evento reúne moradores, visitantes e famílias que retornam ao distrito para reviver lembranças e fortalecer vínculos com suas origens.
Agnaldo Felipe destaca que o espaço da comunidade favorece encontros e preserva o ambiente acolhedor característico da festa. “É um momento de muita confraternização familiar, esse é o nosso objetivo. Nosso espaço físico aqui em Azambuja não é muito grande. Então o nosso foco sempre é a confraternização familiar e o destaque da nossa cultura italiana”, afirmou o prefeito.
Memórias que atravessam gerações
Entre os visitantes estava Márcio, morador de Içara, que todos os anos retorna ao distrito para participar da programação. Ele contou que nasceu em Azambuja e estudou na comunidade quando criança, o que torna a visita ainda mais especial.
“Eu venho quase todos os anos. Sempre que tem festa aqui eu estou vindo. Eu nasci aqui, estudei aqui e isso me traz muitas recordações. Apesar de morar em Içara, sempre participo para recordar meu momento de infância”, relatou.
A Escola de Ensino Fundamental João Batista Becker, onde ele estudou, também participou da programação. A unidade preparou produtos gastronômicos e apresentações culturais com os alunos.
Para a direção da escola, o envolvimento estudantil fortalece o resgate das tradições italianas. A instituição destaca que os ensaios culturais e a participação dos estudantes ajudam a preservar a herança deixada pelos antepassados. “Foi uma semana inteira de preparação, tanto com os quitutes que seriam servidos quanto com os ensaios dos alunos. É uma forma de manter viva a cultura italiana e envolver toda a comunidade escolar”, destacou a diretora Juliana.
Gastronomia e tradição local
Outro destaque do evento foi a presença de empreendedores ligados à história da região. A Vinícola Quarezemin participou da festa comercializando produtos e reforçando laços com Azambuja.
Representando a empresa, Guilherme explicou que o fundador da vinícola nasceu na comunidade e teve trajetória ligada ao cultivo de uvas e batata. Segundo ele, o sonho de ter uma vinícola própria se concretizou em 2002, com a fundação da empresa, atualmente sediada em Içara. “Meu sogro sempre teve o sonho de ter a própria vinícola. Ele foi em busca disso e fundou a empresa, que hoje completa 25 anos. Estar aqui na festa é valorizar essa história que começou em Azambuja”, comentou.
Presença do governador e manifestação simbólica
A edição deste ano também contou com a visita inédita do governador Jorginho Mello, que esteve em Pedras Grandes no domingo (26). O prefeito enfatizou que a presença representa reconhecimento ao município e ao valor histórico da festa, além de aproximar o governo estadual das demandas locais.
Apesar do clima festivo, o evento também abriu espaço para manifestação simbólica do município em relação a mudanças recentes na legislação italiana sobre cidadania. O prefeito explicou que todo o material informativo da festa saiu com uma tarja preta, protestando contra o decreto-lei 36 do Conselho de Ministros da Itália.
“O nosso sentimento está exposto nessa faixa de luto. Entendemos que houve uma forte agressão à ítalo-descendência espalhada pelo mundo e quisemos simbolizar esse protesto durante a festa. Então, além de romper o pacto com a cidade de Belluno, também simbolizamos o nosso protesto por essa faixa”, afirmou o prefeito.
História viva no presente
Entre música, sabores e homenagens, Pedras Grandes reafirmou suas raízes e mostrou que a história da colonização italiana segue viva no presente. Mais do que uma celebração, a Festa da Colônia Azambuja se consolida como elo entre passado e futuro, reunindo gerações, fortalecendo a identidade local e mantendo acesa a essência de um povo que ajudou a construir o Sul de Santa Catarina.