O escritor de Criciúma Sérgio Nunes Vitorio Junior foi o entrevistado da última sexta-feira (16) no programa Conexão News, onde falou sobre o lançamento do seu terceiro livro, Racistas Não Passarão. A obra, que será lançada no dia 7 de fevereiro, aborda o racismo estrutural no Brasil e propõe reflexões a partir de dados históricos, sociais e educacionais, com uma linguagem acessível ao público em geral.
Durante a entrevista, Sérgio explicou que o novo livro é resultado de cerca de um ano e meio de pesquisas sobre a questão racial no Brasil. Segundo ele, a motivação surgiu da necessidade de ampliar o debate sobre o racismo para além das experiências individuais.
“Este livro nasce de uma pesquisa profunda sobre a questão racial no Brasil. Não é apenas sobre a minha vivência como homem negro, mas sobre dados que mostram como o racismo ainda impacta diretamente a vida da população negra”, afirmou o escritor.
Ao longo da conversa, Sérgio destacou que o Brasil carrega marcas históricas profundas por ter sido um dos últimos países a abolir a escravidão. Para ele, essa herança se reflete até hoje em diferentes áreas da sociedade, como o mercado de trabalho e o sistema penitenciário.
“O racismo não é apenas uma ofensa direta ou uma palavra pejorativa. Ele está na estrutura da sociedade, nas instituições, nas oportunidades negadas diariamente às pessoas negras”, destacou.
O autor explicou que o livro possui 95 páginas e é dividido em sete capítulos, abordando desde o período pós-abolição até o conceito de racismo estrutural nos dias atuais. Para embasar a obra, Sérgio recorreu a estudos de pesquisadores brasileiros, como a socióloga Lélia Gonzalez.
“Foi um ano inteiro de pesquisa e escrita. Eu precisei me amparar em pesquisadoras e pesquisadores que já estudam o racismo no Brasil para que o livro tivesse base teórica e dados concretos”, explicou.
Sérgio também falou sobre como Racistas Não Passarão dialoga com seus livros anteriores, como Rompendo o Contrato Social da Masculinidade e Nunca Foi Amor, Sempre Foi Racismo. Segundo ele, todas as obras têm em comum a centralidade da população negra e a discussão sobre desigualdades sociais.
“Todas as minhas obras dialogam com a questão racial. Esta última aprofunda ainda mais esse debate, mas as outras já traziam reflexões sobre racismo, gênero e relações sociais”, afirmou.
O lançamento do livro ocorrerá na Faculdade Exucre, em Forquilinha, com entrada gratuita. Para o escritor, levar o debate para o ambiente acadêmico é fundamental.
“A educação é a base da sociedade. A universidade não forma apenas técnicos, ela forma seres humanos que vão lidar com outras pessoas. O combate ao racismo passa necessariamente pela educação”, ressaltou.
A obra será disponibilizada gratuitamente em formato digital, enquanto a versão impressa terá custo simbólico para cobrir despesas editoriais. Exemplares também serão doados para bibliotecas universitárias e instituições da região, além do sistema penitenciário.
“O objetivo do livro não é o lucro, mas a socialização do conhecimento. Quero que qualquer pessoa consiga compreender o que está sendo dito ali”, finalizou.