A discussão sobre a profissionalização da arbitragem brasileira voltou a ganhar força. Em entrevista ao programa Bate-Pronto, da Jovem Pan News Criciúma (101.5 FM) e Jovem Pan News Tubarão (95,9 FM), o advogado catarinense Dr. Cláudio Klement Rodrigues, especialista em direito esportivo e agente FIFA, explicou as mudanças previstas no projeto que tramita no Senado.
Segundo ele, a proposta busca corrigir uma injustiça histórica ao transformar árbitros em profissionais contratados pelas federações, com direitos semelhantes aos de atletas e treinadores.
Rodrigues afirma que a alteração cria um novo patamar para a categoria:
“Hoje o árbitro não tem férias, não tem FGTS, não tem estabilidade. Com o contrato especial, ele passa a ter todos esses direitos.”
Além de proteção legal, a medida oferece previsibilidade financeira, permitindo que os árbitros possam se programar e investir em qualificação.
O vínculo passará a ser formal:
“Hoje ele só recebe se for escalado. A ideia é que seja funcionário da federação, da mesma forma que um jogador é funcionário do clube.”
A atuação como árbitro seguirá sendo compatível com outras atividades profissionais.
A CBF Academy continuará responsável pela preparação técnica. Para Rodrigues, a estabilidade incentivará mais jovens a buscarem a carreira:
“O árbitro vai estudar, se qualificar e entrar no mercado com segurança. Assim ele pode planejar cursos, especializações e evolução profissional.”
O especialista reforça que o tema atinge também quem acompanha o esporte:
“Um árbitro preparado, protegido e independente é menos suscetível a pressões externas e erros grosseiros. Isso melhora o espetáculo para o torcedor.”
Ele destaca que a profissionalização deve reduzir discrepâncias de critérios e polêmicas envolvendo o VAR.
Com regras claras e vínculo formal, o número de ações trabalhistas tende a cair:
“Hoje não há regra definida. Quando deixamos tudo claro, a judicialização naturalmente diminui.”
Rodrigues se mostra otimista com o avanço da proposta:
“Todos os relatórios são favoráveis. Acredito que a aprovação deve acontecer em breve, e tomara que isso entre logo em vigor.”