“Precisamos garantir que esses direitos sejam cumpridos”, diz Glícia Pagnan sobre nova política para pessoas com autismo em Cocal do Sul

Projeto aprovado pela Câmara cria diretrizes para saúde, educação, assistência e conscientização sobre o TEA

Por Redação-
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“Precisamos garantir que esses direitos sejam cumpridos”, diz Glícia Pagnan sobre nova política para pessoas
Divulgação

A Câmara de Vereadores de Cocal do Sul aprovou o Projeto de Lei nº 0011/2025, que institui a Política Municipal para Garantia, Proteção e Ampliação dos Direitos das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A proposta, apresentada pelos vereadores Glícia Pagnan (MDB) e Valdnei da Silva, o Chicão (PL), segue agora para a sanção do prefeito.


Organização dos serviços

O texto aprovado por unanimidade estabelece diretrizes que orientam o município na promoção da inclusão e no atendimento adequado às pessoas autistas. Entre os pontos previstos estão o atendimento integral na saúde, diagnóstico precoce, equipe multiprofissional, criação do cadastro municipal das pessoas com TEA e integração entre saúde, educação e assistência social.

A lei também garante matrícula e Atendimento Educacional Especializado (AEE) quando necessário, combate à discriminação e determina o fortalecimento da CIPTEA, além do uso dos cordões Quebra-Cabeça e Girassol como forma de identificação.


Conscientização e combate ao preconceito

O projeto institui ainda o Abril Azul, a Semana Municipal do Autismo e campanhas permanentes de conscientização. Para os autores, ampliar o conhecimento da população é fundamental para enfrentar estigmas.

A informação é uma forma de combater o preconceito e garantir que todos entendam os direitos das pessoas autistas”, afirmou Chicão na justificativa do projeto.


Falta de dados e criação do conselho

A proposta também cria o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, mecanismo que, segundo os vereadores, deve fortalecer a cobrança e fiscalização das políticas públicas.

Glícia destacou a importância de o município ter informações próprias sobre a população autista. “Hoje, não existem estatísticas nacionais sobre o autismo. Por isso, precisamos quantificar nossa população para direcionar o atendimento e garantir políticas públicas eficientes”, afirmou.

Outra preocupação apresentada pelos autores foi a necessidade de garantir que os direitos já previstos em lei sejam efetivamente cumpridos. Como disse Glícia em entrevista à Jovem Pan News, “é muito difícil se fazer cumprir os direitos e a legislação, e o conselho vai nos ajudar a cobrar e garantir esses atendimentos”.


Contexto dos atendimentos no município

Durante a entrevista, Glícia relatou que a movimentação de mães e familiares nos últimos meses chamou atenção para dificuldades no atendimento às pessoas com TEA. Segundo ela, a mudança de clínica e a redução no tempo das terapias motivaram a elaboração da proposta. “Qualquer interrupção ou diminuição das terapias causa atraso no neurodesenvolvimento”, alertou.

Ela reforçou ainda a importância da identificação e da capacitação dos profissionais. “A população não sabe fazer inclusão. É difícil entender necessidades que não estão escritas na testa”, afirmou.

A Câmara agora aguarda a sanção do prefeito para que as ações tenham início no município.


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