Com a chegada de novembro, mês dedicado à conscientização sobre a saúde do homem, o Jornal da Manhã da Jovem Pan News Criciúma (101,5 FM) e Jovem Pan News Tubarão (95,9 FM) conversou com o urologista Fábio Borges, que ressaltou a importância da prevenção e dos exames regulares para reduzir a mortalidade do câncer de próstata.
“Exatamente, é desmistificar o Novembro Azul. Ele tem realmente muito tabu, e é um mês bem importante, assim como o Outubro Rosa. O homem precisa conversar sobre o assunto, porque informação é essencial.”
O especialista alertou sobre a prevalência e gravidade do câncer de próstata:
“A estimativa é de 71 mil novos casos por ano, segundo o INCA. É bastante, e não é tão divulgado. O câncer de próstata é o segundo que mais mata no homem. Por isso é importante o Novembro Azul, para ressaltar a necessidade de prevenção e cuidado.”
Prevenção e rastreio
Fábio Borges destacou que os cuidados devem começar cedo e que a prevenção é essencial:
“O cuidado começa desde a base. Quando o homem sai da pediatria, ele é largado para o mundo, e com 50 anos começa o rastreio. Ele deve cuidar da saúde ao longo da vida. A prevenção é o melhor caminho. Hoje o toque retal ainda é recomendado, mas existem evidências de novas técnicas, como a ressonância, que podem substituir alguns exames no futuro.”
Sobre a idade para iniciar os exames:
“No Brasil, recomenda-se a partir dos 50 anos. No mundo, inclusive no Congresso Mundial nos Estados Unidos, é sugerido antecipar para os 40 anos, justamente pensando em doenças metabólicas como diabetes e pressão alta. O câncer é raro nessa faixa, mas é importante investigar a saúde do homem como um todo.”
Sintomas e sinais de alerta
O especialista explicou que o câncer de próstata é muitas vezes assintomático:
“Os sintomas geralmente aparecem na hiperplasia prostática, que leva o homem a procurar o médico: aumento da frequência de urinar, acordar à noite, jato mais fraco. É com isso que muitas vezes identificamos o câncer.”
Resistência masculina e cuidados contínuos
Fábio Borges comentou sobre a resistência histórica dos homens em procurar atendimento médico:
“O homem vai deixando para a última hora. A diferença para a mulher é enorme. Ela acompanha a saúde desde cedo; o homem, muitas vezes, só procura quando surge algum problema. Mas, aos poucos, a conscientização está mudando.”
Ele reforçou que rotina e prevenção são fundamentais:
“A rotina, a prevenção, é a palavra-chave. O homem morre, em média, sete anos mais cedo que a mulher por não se cuidar. Mesmo se houver diagnóstico, quando detectado cedo, a chance de cura é extremamente alta — mais de 90% em muitos casos. É uma doença de tempo sensível.”
“Pouquinho a pouquinho, o trabalho de conscientização vai diminuindo a mortalidade. É um trabalho de formiguinha, mas que gera resultados importantes a longo prazo.”
O especialista concluiu destacando que o Novembro Azul vai além do câncer de próstata, incentivando hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, atividade física e exames periódicos para toda a saúde masculina.