A psicóloga Aline Castagnetti compartilhou sua história de vida e experiência profissional no programa Pan Saúde, da Jovem Pan News Criciúma (101,5 FM) e Jovem Pan News Tubarão (95,9 FM), apresentado por Louise Müller.
No bate-papo, Aline destacou a importância da saúde mental durante e após o diagnóstico de câncer, ressaltando como o apoio emocional pode influenciar diretamente o tratamento e a qualidade de vida dos pacientes.
O episódio, transmitido dentro da campanha do Outubro Rosa, teve oferecimento do Residencial Geriátrico Centrovita e abordou os desafios psicológicos que acompanham o enfrentamento da doença.
Câncer e mente: o impacto do diagnóstico
Segundo Aline, a forma como o paciente recebe a notícia do diagnóstico influencia todo o processo de enfrentamento.
“É uma dor invisível, e muitas vezes o primeiro impacto é de medo, de incerteza. O câncer ainda carrega crenças antigas, de que é sinônimo de fim, e isso precisa ser trabalhado com cuidado”, explicou.
A psicóloga ressaltou que, além dos cuidados médicos, é fundamental incluir o acompanhamento psicológico desde o início do tratamento.
“O diagnóstico traz ansiedade, medo e, às vezes, sintomas depressivos. Por isso, o acompanhamento emocional é essencial para que o paciente mantenha equilíbrio e qualidade de vida”, disse.
Rede de apoio e empatia
Durante a entrevista, Aline destacou o papel da rede de apoio familiar e social.
“Nem todos têm família por perto ou um círculo de apoio estruturado. É importante que encontrem esse suporte em profissionais, amigos, ou até mesmo no ambiente de trabalho. Informação e empatia fazem toda a diferença”, afirmou.
Ela também reforçou o papel dos profissionais de saúde nesse processo:
“Desde o primeiro médico que detecta o câncer, é preciso cuidado e sensibilidade na forma de comunicar o diagnóstico. Isso muda completamente a experiência da paciente.”
Sentimentos e aceitação
A psicóloga explicou que sentimentos como tristeza, raiva e medo são naturais e não devem ser reprimidos.
“Não existe certo ou errado. O importante é sentir o que está acontecendo. Fingir força o tempo todo pode gerar desregulação emocional. É preciso reconhecer as emoções para lidar melhor com elas”, pontuou.
Segundo ela, essa aceitação emocional é um dos caminhos para tornar o tratamento mais leve:
“Eu costumo dizer: o que eu faço com a minha tristeza? Ficar triste vai me ajudar? Ou posso buscar algo que me traga prazer e bem-estar? Isso faz parte da escolha de como encarar a doença.”
Uma história de força e fé
Além da visão profissional, Aline compartilhou sua própria história de vida. Diagnosticada com câncer de mama em 2021, ela descobriu duas semanas depois que também estava grávida da filha Laís.
“Foi um turbilhão. Descobrir o câncer e a gravidez quase ao mesmo tempo. Mas eu decidi acreditar — acreditar nos médicos, na fé e em mim. Eu escolhi lidar da forma mais leve possível”, contou.
Mesmo durante a gestação, Aline realizou o tratamento oncológico com acompanhamento médico e destaca que informação e orientação foram essenciais para o sucesso.
“A informação traz segurança. Eu sabia o que estava acontecendo e o que podia ser feito. E, graças a Deus, correu tudo bem. Hoje, a Laís está saudável e cheia de vida.”
Uma nova visão sobre a profissão
Ao final da entrevista, Aline refletiu sobre como a experiência transformou sua atuação como psicóloga.
“Viver o que meus pacientes vivem me trouxe ainda mais empatia. A gente nunca vai estar completamente no lugar do outro, mas podemos compreender melhor suas dores. Isso mudou completamente minha forma de trabalhar e de enxergar a vida.”