A história começa com Érica, uma mulher que viveu intensamente cada fase da vida, mas que viu na maternidade o seu ponto de virada. “Eu casei em 1988, com 29 anos. Era mais madura, sabia o que queria. Depois de um ano de casamento, senti que faltava algo. Era o desejo de ser mãe”, conta. O primeiro filho, Lucas, nasceu logo depois, e quatro anos mais tarde veio Laís. Entre os dois, uma perda gestacional marcou sua jornada: “Tive um aborto nesse meio tempo, e sempre digo que Deus faz tudo certo. Acabei tendo o casal que eu sonhava. Me sinto muito realizada.”
Durante essa fase, Érica trabalhava em uma clínica e vivia a angústia de não conseguir acompanhar de perto a infância dos filhos. “Naquela época, creche era difícil. Sempre tinha alguém em casa pra cuidar deles, e também contei muito com minha cunhada e minha sogra, que moravam perto. Mas eu queria mais. Queria ver meus filhos crescerem, dar risada com as gracinhas deles durante a semana, não só no fim de semana. E pedi isso a Deus: ‘Quero estar junto com eles’.”
O pedido foi atendido com generosidade. Uma conversa com uma prima despertou a ideia de abrir um negócio. Em apenas 15 dias, Érica deixou o emprego e inaugurou sua primeira loja em Tubarão. “Foi tudo muito rápido, mas muito certo. Dois anos depois, abrimos uma filial em Criciúma. Eu olhei e pensei: não tem nada parecido aqui. Era um desafio, mas eu fui. Nunca tive medo. Eu sou assim: foco, coragem e fé.”
A coragem deu frutos — e virou legado. A Homedic nasceu desse desejo de cuidar, de estar perto. E hoje, mais de duas décadas depois, é referência em produtos e equipamentos hospitalares. O que começou como um sonho de mãe, virou um projeto de vida para toda a família. Além de Érica, estão na empresa o marido, o filho Lucas e, claro, Laís, que cresceu observando o trabalho da mãe e, aos poucos, foi encontrando seu próprio caminho.
Laís seguiu uma vocação diferente: fez fisioterapia.. “Ela é determinada demais. Queria fazer algo que ela gostasse, e foi. Hoje, ela tá ali, tocando tudo, inclusive com as partes que antes eram minhas. Ela assumiu o que eu fazia, e faz muito bem. Tenho certeza que está tudo em boas mãos.”
Mas nem sempre foi simples. A maternidade, para Laís, também trouxe suas transformações e dúvidas. “Antes da Joana, eu era muito focada na loja. Ficava até 10 da noite, mergulhada no trabalho. Depois que ela nasceu, tudo mudou. Eu tive que parar. Queria estar em dois lugares ao mesmo tempo: cuidando dela e cuidando da empresa. Mas isso não era possível. Foi difícil abrir mão do controle e entender que naquele momento minha filha precisava mais de mim.”
A decisão de pausar, ainda que por um tempo, não foi fácil. Mas foi essencial. “Eu tinha muito receio. Como ia dar conta? Tive que me entregar à maternidade, e foi a melhor escolha. A mãe sempre esteve do meu lado, me ajudando em tudo. Mesmo com meu marido presente, o cuidado de mãe é diferente. É a comida, a roupa lavada, o carinho. Isso fez toda a diferença.”
A parceria entre Érica e Laís vai além do sangue. É construída no respeito, na escuta e na confiança. “Eu vejo a Laís hoje com a Joana e penso: ‘Como ela aguenta?’ Porque é desafiador. Mas ela dá conta, e me enche de orgulho. E quando olho pro Lucas, que também está com a gente, vejo que aquilo que plantei lá atrás deu certo. Eu sonhei estar com eles, e hoje, com meus dois filhos e meus dois netos por perto, só posso agradecer.”
Hoje, Érica se realiza ao ver os filhos assumindo novos papéis na empresa e na vida. “Cada um tem seu jeito. O importante é que a gente se respeita. Eu digo que hoje estou representando aquilo que comecei e que deu certo. Agora é uma nova fase: deles, e também minha, como avó. Já tô até pensando no futuro das crianças, sabe? Um vai ser contador, o outro advogado... É uma continuidade. Um sonho que vai seguindo.”
A Homedic é mais que uma empresa: é um símbolo de amor e persistência. Nas palavras de Érica: “Eu não vejo concorrentes. Eu vejo parceiros. Quando comecei, ninguém queria esse ramo. Hoje, ele é valorizado. Isso só foi possível com muito trabalho, fé e união.”
E, no centro de tudo, está o amor de mãe. Aquele que ensina, acolhe e inspira. Que constrói e reconstrói. Que não tem fim.