O Governo de Criciúma, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, elaborou uma nova estratégia na abordagem para diagnóstico precoce do câncer de mama no município. A iniciativa consiste em um novo fluxo nos exames de mamografia bilateral e unilateral, caso haja alguma alteração nos resultados. “Essa estratégia reafirma o compromisso do governo municipal com os cuidados da saúde da mulher. O diagnóstico precoce facilita o tratamento e a conduta adequada para cada paciente. Tudo foi possível em parceira e alinhamento com os prestadores que nos atendem, e estimamos que reduziremos em 60 dias o diagnóstico. É um olhar especial para as mulheres”, enfatizou o secretário de Saúde de Criciúma, Deivid Freitas.
A gerente de Controle, Avaliação e Central de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde, Juliane Zanon, explica que o processo beneficia a população feminina que tenha detectado alguma alteração mamária. “Todas as mulheres que realizarem a mamografia bilateral pelo SUS, e apresentarem alguma alteração no resultado, instantaneamente serão encaminhadas para fazer a mamografia unilateral/magnificação. Desta maneira, é possível ter acesso mais rápido ao diagnóstico e receber a orientação adequada para o quadro em menos tempo”, pontua. A mamografia bilateral (de ambas as mamas) é o exame de rastreamento que as mulheres realizam conforme indicação e a mamografia unilateral (de apenas uma mama) é realizada para complementar os resultados da primeira.
De acordo com a coordenadora do Centro de Saúde da Mulher, Criança e Adolescente (CESMCA), Aline Padoin, o município de Criciúma registrou entre janeiro e setembro de 2024, 62 mulheres e um homem com câncer de mama. Destes casos, cinco fora
Um estudo elaborado pelo INCA em 2022 identificou que para cada ano do triênio 2023-2025, surgiriam 17.010 casos novos de câncer do colo do útero, o que representa uma taxa bruta de incidência de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres. Números que reforçam a importância de campanhas educativas como a do Outubro Rosa, fundamental para a prevenção da doença.
Um toque de cuidado, um gesto de amor à vida
A campanha Outubro Rosa foca em atividades de sensibilização e incentivo ao acompanhamento médico regular, resultando em melhor qualidade de vida para as pacientes e em uma expectativa de vida mais longa. Agir preventivamente ajuda a evitar o agravamento de condições e a iniciar o tratamento precocemente. O Centro de Saúde da Mulher, Criança e Adolescente (CESMCA) executa um papel imprescindível na saúde feminina. “A mulher passa, ao longo da vida, por diversas fases, e podemos atuar em todas, como início da menstruação, fase fértil na contracepção e pré concepção, gestação/pré-natal, amamentação, climatério, menopausa e problemas ginecológicos diversos. Atuamos de forma ativa, com consultas de enfermagem que auxiliam em todas as fases da vida da mulher”, explica a enfermeira Aline Padoin.
Dentre os serviços oferecidos pelo Centro de Saúde da Mulher, Criança e Adolescente estão:
– Consultas médicas com mastologista e ginecologista;
– Preventivos de seguimento (acompanhamento das mulheres com alteração em preventivos anteriores);
– Aplicação de ácido tricloroacético (ATA), para cauterização de lesões causadas pelo vírus do HPV;
– Punção para coleta de biópsia de mamas;
– Atendimento de fisioterapia uroginecológica, para tratar casos como dispareunia (dor na relação sexual), quadros de perda urinária e preparação para o parto.
Quando realizar os exames
O SUS disponibiliza programas para combater agravos que afetam a população feminina, como o câncer de colo do útero e de mama. O Ministério da Saúde recomenda que mulheres com idade entre 50 e 69 anos realizem a mamografia de rastreamento a cada dois anos. As mulheres que identificarem alguma alteração durante o autoexame, independente da idade, devem procurar médicos da sua UBS de referência.
Com relação ao exame citopatológico, comumente conhecido como “Papanicolau”, a recomendação do Ministério da Saúde é que seja realizado a partir dos 25 anos (ou quando a jovem já tiver vida sexual ativa) até os 64 anos. As duas primeiras coletas devem ser feitas anualmente. Após essas coletas, se os resultados apresentarem normalidade, o exame pode ser realizado a cada três anos.
Apesar da recomendação etária, a Lei 14.335/2022 assegura a realização dos exames citopatológicos do colo uterino, mamográficos e de colonoscopia a todas as mulheres que já tenham atingido a puberdade.
Vacinação contra o HPV
A aplicação da vacina do HPV é uma forma eficaz de prevenção contra o câncer de colo uterino (mas não substitui o exame citopatológico). Ela combate alguns tipos de Papilomavírus Humano (HPV), que podem se transformar em câncer no futuro. A vacina é disponibilizada para meninas e meninos com idade entre 9 e 14 anos nas Unidades Básicas de Saúde do município. Para receber a dose, basta apresentar o cartão de vacinação ou documento de identificação. Mulheres e homens imunossuprimidos, de 9 a 45 anos, que convivem com HIV/Aids, transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea e pacientes oncológicos, também têm acesso à vacina.
História do Outubro Rosa
A campanha Outubro Rosa, celebrada anualmente em diversos países, foi criada em 1990 nos Estados Unidos. Na época, alguns estados do país já promoviam ações voltadas à saúde da mulher, e o governo estadunidense decidiu concentrar os esforços em um mês destinado a luta contra o câncer de mama. O símbolo do laço rosa foi consolidado na primeira Corrida pela Cura, em Nova York, quando a Fundação Susan G. Komen for the Cure distribuiu o símbolo para a população. Depois do evento, o laço passou a ser entregue em locais públicos e em ações sociais. A iluminação de monumentos e edifícios na cor rosa surgiu posteriormente, e transformou o movimento em uma iniciativa popular, pois essa expressão visual amplifica a mensagem de prevenção e diagnóstico precoce e é facilmente reconhecido mundialmente.
No Brasil, o Outubro Rosa começou a ganhar destaque em 2002, quando o Obelisco do Ibirapuera, o Mausoléu do Soldado Constitucionalista, em São Paulo, foi iluminado com a cor rosa pela primeira vez. Iniciativa de um grupo de mulheres em apoio à causa, o movimento ganhou força no Brasil a partir de outubro de 2008, quando o movimento cresceu e entidades ligadas ao câncer de mama iluminaram com a cor da campanha os monumentos e prédios em várias cidades, incluindo a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.