Maternidade e conhecimento: conheça Andreia Berto, mãe atípica que dedicou seus estudos ao desenvolvimento do filho

Além da compreensão, amor e acolhimento e os estudos trouxeram ideias e um espaço seguro para seu filho André

Por Louise Müller-
7 Min

Planejamento, conquistas e escolhas, a maternidade ultrapassa barreiras mentais e até mesmo planejamentos extensos. Andreia Berto era uma jovem sonhadora que buscava de todas as maneiras realizar seus sonhos na área profissional, primeiro teve sua formação de licenciatura em letras, seguiu com seus estudos e entrou nas mais diversas áreas do ensino que almejou. A faculdade era seu maior sonho e por isso iniciou especializações que pudessem elevar seu conhecimento na área da educação.

 O amor chegou batendo a porta e trazendo outros rumos que também eram de seu desejo, a maternidade. Ela e o esposo esperaram alguns anos até decidirem aumentar a família, e fruto desse amor nasceu André.  “ Esse era o meu projeto inicial. Me formei, me especializei, comecei a me dedicar para a profissão. Foi então que eu mudei para o meu segundo projeto, que é casar, encontrar alguém e formar uma família. Foi então quando eu conheci meu esposo e depois de cinco anos a gente começou a planejar, a aumentar a família” conta a professora.

 

André cresceu em uma família amorosa, filho de dois professores que o amaram e ensinaram desde novo. Andreia notou algumas diferenças no desenvolvimento de seu filho, e aos dois anos André foi diagnosticado com Autismo de suporte três. O diagnóstico pegou a família de surpresa e os levou a outro rumo, a busca pelo aprendizado e inclusão de novos métodos de ensino. 

“Antes de ser mãe atípica, de viver a maternidade atípica, projetamos sonhos,sonhos para os nossos filhos, o que eles vão ser, o que eles vão cursar, qual a profissão que eles vão trilhar, e como professora também, eu tinha uma visão muito superficial das questões das deficiências na escola, quando eu recebi o diagnóstico do André, isso tudo mudou”, relembra Andreia, a mãe ainda conta que  o momento de novidades e tensões não foi suficiente para impedir que a esperança tomasse conta da família. 

 

A profissão dos pais, dois professores apaixonados por educação, contribuíram para um olhar mais atento e cuidado em relação às potencialidades de André, o que permitiu com incentivos e limites maiores à educação e desenvolvimento do filho. 

 

A maternidade e as expectativas impostas às mães pela sociedade não acolhedora  

 

A maternidade em si é um momento intenso e complexo para quem gera e dá a luz, as mudanças hormonais, na rotina e no sistema familiar são um desafio que pode levar anos até que seja normalizado. As mães ainda passam pela pressão de comentários alheios em relação a criação dos filhos, a educação, alimentação e até mesmo a maneira em que seguram seu bebê. A expectativa sobre o futuro também é imposta a mães atípicas, e no turbilhão de um diagnóstico ainda precisam lidar com essa preocupação.

 

“Quando você recebe o diagnóstico, tem que desconstruir todo o futuro que já planejou,é um futuro que você sabe que vai ser com limitações. É um futuro que tu vai ter que acreditar nas potencialidades e investir em terapias para que essa criança consiga se desenvolver. Então uma trajetória que já tinha sido planejada foi mudada. A partir do momento que a gente recebe o diagnóstico, há essa quebra de expectativa, há uma desconstrução. A gente passa a reconstruir uma nova jornada dentro das limitações daquele diagnóstico que o nosso filho recebeu”, pondera Andreia.

Um dos maiores aprendizados de Andreia em relação ao diagnóstico é sobre a colocação do indivíduo em primeiro lugar, nunca sua deficiência pode estar acima de terapias e potencialidades e desenvolvimentos. 

“A ciência tem avançado cada vez mais, a gente tem tido muitos recursos para que a criança consiga se desenvolver e trabalhar ali os déficits que a deficiência do autismo traz, mas a gente sabe que é toda uma reconstrução, a gente chama assim, na maternidade atípica, quando a gente recebe esse diagnóstico de luto, a gente passa por um luto e por uma reconstrução de futuro e percepções”, explica Andréia.

 

Com o avanço da ciência e a reconstrução de uma sociedade inclusiva, os recursos para a criação de crianças autistas estão tomando um rumo de desenvolvimento na educação que agrada os pais atípicos. Para Andreia, o primeiro passo para um caminho mais tranquilo, é a aceitação, não só dos pais como dos familiares. 

“Tem famílias que ainda hoje passam-se anos,eles não aceitam o diagnóstico, é muito difícil para elas. Eu sempre digo assim, que a aceitação é o primeiro passo para que o tratamento seja eficaz. A partir do momento que tu aceita o diagnóstico, aceita o seu filho com as limitações que vem junto com ele. Essa nova perspectiva acredita no potencial que ele pode aprender, que ele pode desenvolver, aí você muda toda a sua perspectiva de vida”, completa a pedagoga.

 

“A aceitação é o primeiro passo para um tratamento eficaz”

 

Com acesso às informações, pais e profissionais da educação que trabalham com a criança que possui o diagnóstico correto poderá ter evoluções rapidamente em seu quadro. Apesar do luto da notícia, Andreia superou suas comparações e seguiu em frente com as possibilidades de um futuro promissor. Hoje, quase 12 anos após o diagnóstico, André é autista de suporte um, as instruções na janela de oportunidades o ajudaram a mudar o nível de suporte.

 

“Eu passei por um luto só quando eu fazia comparações. Quando eu estava com o André dentro de casa, ele era o meu filho,brincava, beijava, estimulava e saía com eles, mas a partir do momento que eu fazia comparações com outras crianças da mesma idade, eu entrava nesse processo de luto. Então, eu procurei ajuda.Conversava com os psicólogos,fiz algumas terapias para eu me entender como mãe, para fazer esse processo de aceitação da maternidade atípica, e parei de comparar, porque cada criança é única, cada criança tem as suas potencialidades, as suas limitações. A gente não podia botar tudo dentro de uma caixinha, e então consegui sair desse luto”, relembra a mãe.

 

O diagnóstico de André levou Andreia a buscar mais conhecimento, usufruindo da sua área de atuação para incentivar e estimular mais crianças por meio de grupos de apoio em que faz parte, assim como em sua sala de aula. O acolhimento em sala de aula, em família e em sociedade mudam não só a vida de um autista, mas de toda sua rede de apoio. Ser mãe é entender como agir em qualquer momento, amar acima de tudo e apoiar com todas as forças assim como Andreia.



 


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